sábado, 27 de novembro de 2010

Se você está perdido...



...talvez encontre o que procura no grupo TutorialHouse do DeviantArt.

Selecionei vários tutoriais gentilmente postados pelos usuários do site. Os assuntos vão desde rascunho, scan e edição digital a pintura tradicional com aquarela, marcador, crochet, tricô e origami. Alguns tutoriais estão em Português, mas a maioria está em Inglês.

Editei também uma lista de tutoriais no YouTube, com várias dicas sobre pintura digital, tradicional, o processo de criação e, principalmente, sketchbooks bem aproveitados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Férias

Até dia 17/10 estarei de férias. =]

É bastante triste perceber que vários dos meus projetos antigos serão totalmente remodelados se algum dia eu quiser publicá-los. Andei estudando bastante sobre roteiro para quadinhos e filmes. E como é natural, percebi que tudo o que escrevi na minha juventude estava uma porcaria. xD
Felizmente, algo da essência de cada uma das histórias pode ser salvo. Clepsidra, a história de fantasia (quase) medieval foi enquadrada como infanto-juvenil e DarKnight transformou-se em leitura para adultos -- provavelmente um hentai ou coisa do gênero. Aliás, o fanzine "Crepúsculo dos Deuses" é um trecho inocente de DarKnight.
Apesar dos conceitos firmes de outros temas, resolvi trabalhar com uma história pouco desenvolvida: a de Giovani & Ariel. Originalmente, Ariel era mais jovem (13 anos) e a família não era mafiosa. Giovani ficou menos grunge e mais estiloso -- atualmente gosta de grifes italianas caras...mas ainda gosta muito de roupas pretas. A paixão pela moto continua a mesma, apesar do modelo ter sido definido bem recentemente.
Enfim, a história com título provisório de O Guardião conta as desventuras da jovem herdeira de uma empresa bem sucedida do ramo calçadista. Ariel trocou de escola algumas vezes e não tem muito interesse em seus colegas. Um dia a mãe decide que ela deve ter um guarda-costas... e morar com ele.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nova Carinha e Novidades

Hehe.
Troquei o visual do blog, agora com o novo esquema de design.

Pra quem ainda não conhece, eis meu primeiro fanzine, Crepúsculo dos Deuses. É uma história completa em 10 páginas, feita em sete dias.



Lancei o fanzine no AnimeXtreme em maio/2010 e tirei segundo lugar no Prêmio Oscar C. Kern -- organizado pelo Dinamo Studio.

Estou trabalhando no meu projeto de Manga/Comic, agora bem a sério. Espero que eu conclua logo a etapa de roteiro, já que é isto que me impede de avançar no projeto. O trabalho terá supervisão do Dinamo HQ e a meta é publicar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Não deixe minha mãe saber

Mamãe nunca soube, mas ele era amigo de papai.
Bem, não sei nem como elucidar. Daniel foi muito amigo de Keniti quando ele ocupava o corpo de Kotani, por isso eu tenho dificuldades em chamá-lo de “pai”. Meu pai foi, por quinze anos, Axel, o companheiro de minha mãe. Nada tenho a ver com Kotani, ainda que Keniti esteja em seu corpo.
Como as coisas são estranhas...
Conheci-o pouco depois do descongelamento. Ele estava furioso e Keniti nem consegui recordar-se porquê. Com o tempo ele se acalmou, mas Keni ainda não o queria por perto. Eu já o tinha visto antes, quando ele salvara mamãe, Karine, naquela tarde que ela já não sabia mais o que fazer da vida. Daniel fora como um anjo, retirando-a das águas gélidas. Dei-lhe as bolitas que eu brincava desconhecendo seu potencial. Se uma delas se quebrasse em minha mão, talvez eu não estivesse aqui agora!
Eu percebia como seus olhos brilhavam e como ele murmurava que éramos diferentes, apesar de tudo. Ficava eu muito envergonhada até de falar. Vernam, a babá, não o olhava com o cuidado de sempre, ela só não gostava de nos ver juntos.
Como ele podia ser um velho amigo de Keni se ele parecia tão jovem? E insano...
Numa tarde fria, com o sol dourando o horizonte, ele me pegou pela mão. Estremeci. Ele podia ser engraçado, era assustador encarar seus olhos e ver mais do que eu desejava ver nos olhos de um homem...
Eu o viajava, atenta a qualquer movimento. Seguíamos pela trilha no bosque que levava a uma fonte natural de águas quentes. Do meio da fonte uma porta iluminada surgiu. Eu podia ser coisas do outro lado. Mas não eram as árvores do bosque...Resisti um pouco quando ele me puxou lá para dentro. No princípio a luz cegou-me e senti-me perdida. Mas eu logo reconheci uma Volund diferente. Não tinha nenhuma casa e sim muitas árvores. mas de longe se ouvia som de música.
“Confie em mim”. Eu não hesitei em seguí-lo por onde fosse. Vagamos a noite inteira a cavalo até que eu percebesse que o espaço percorrido não caberia de jeito nenhum em Volund! Descansamos um pouco e aproveitei mais a viagem no dia seguinte. Como a paisagem era bela! Nunca vira coisa semelhante, nem aqui nem no continente!
Daniel logo encontrou alguns amigos e me esqueceu. Ao contrário dele, os amigos estavam envelhecidos, alguns curtidos pela idade. Exceto por uma mulher de olhos tão bonitos, mas que insistia em escondê-los. Ela saíra de um mosteiro algum tempo antes e logo estaria de volta, viera apenas visitar um amigo mal de saúde. Juro que o tal parecia um pouco com Kenji, mas foi uma repentina impressão.
Estava exausta.
A notícia de que Daniel retornara percorria o vilarejo. Causava-me um mal-estar os risinhos maliciosos de algumas mulheres. Baixei a cabeça e segui Daniel porta afora. Era a cabana que um dia pertencera a ele. Descobri que o vilarejo era na verdade um acampamento das partes neutras durante a guerra em Outside (que ninguém antes tentara me explicar). Não havia luz elétrica, somente lampiões, e acredito que a situação fosse a mesma para onde quer que fosse.
Não sabia para onde estava indo, seguia cegamente a Daniel. Novamente, ele me encarou e murmurou mais algumas coisas como de costume. Eu não tinha visto que uma mulher esperava por nós...
Ficamos ambas silentes, uma frente a outra. Ela sorriu e eu notei que ela era muito parecida comigo, como se fosse uma irmã gêmea. Logo ela esqueceu-se de mim e voltou-se para Daniel. Quis sair, eu não tinha nada a ver com a situação. Pedi licença para deixá-los a sós. Novamente, ela voltou-se para mim e aproximou-se, deu-me um beijo. ra tão estranho que eu quisesse fugir mas estivesse apreciando o tempo todo estar com ela. Era como beijar um espelho. Lembro-me de pouca coisa, estive muito próxima a ela, e depois viera Daniel.
Acordei na manhã seguinte sem compreender nada. Chamei por minha mãe e por Vernam, mas ninguém atendeu. Iluminei pobremente o local, acordando também os dois. Estive perplexa por uns instantes, a ponto de escapulir. Mas Daniel não deixaria. Cobriu minha boca com um beijo e disse que não me deixaria mais.
“Não, não! Eu preciso voltar!”
Fora difícil convencê-los que eu precisava mesmo voltar para casa,, para minha mãe e para Vernam. E mesma estive a ponto de desistir. “Como é que eu poderia viver sem você agora?”, murmurei para ele. “Se eu soubesse antes... É coisa que eu não devia ter-lhe ensinado...”
Novamente, estava eu nos braços de Alexia, coisa que eu jamais em minha vida teria pensado se continuasse vivendo em Volund. Mas esse não era meu mundo e sim o de Daniel. Abandonei sofregamente minha “irmã gêmea” e refiz o caminho para o portal de Volund. Daniel me acompanhou pensativo durante a maior parte do trajeto. Talvez ele soubesse que isso era coisa que não devia nunca ter acontecido. Certo trecho do percurso ele empalidecera, puxando as rédeas de seu cavalo, mas logo recobrou suas cores normais.
E era tão diferente sem Aléxia. Eu sabia que também começaria a amá-lo, embora o sentimento fosse pequeno frente ao que sentia pela minha “irmã gêmea”.
Daniel abriu o portão iluminado e eu podia ver a água cristalina da fonte. Ele não quis me levar através dela, imaginei que teria mudado de idéia. “Tenho medo do que possa ter feito. Cuide-se, Chizuko.”
Assim, fiquei apenas uma semana em Outside — sem perceber— e voltei carregando Eve... Como eu já disse, mamãe jamais soube quem era o pai de Eve... e que também era o pai de Adam.

domingo, 25 de outubro de 2009

Projeto 24 horas no Trem

Devido a frequencia com que o tema surge em diversos contos ou estórias, resolvi fazer o projeto "24 horas no Trem". São quatro contos cuja temática é a ambientação do nosso famoso Trensurb.
Mais informações em breve.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dark 1.1

[...]
Durante o tortuoso caminho até os arredores do vilarejo principal Zieg não fizera mais do que responder as perguntas que sua indesejada companhia direcionara-lhe. Passara distante das barracas de tecido e outras quinquilharias que atrairiam a atenção de uma mulher para não deter sua marcha.
Observando-o avançando apressado a sua frente, Ana constatou que Zieg, ainda bastante jovem, era muito delicado para uma missão solitária contra o bandoleiro. A mão apertando firme o cabo da espada não possuía calos do treinamento necessário para domá-la. As longas horas de debates com Reinhardt ou qualquer outro provaria seu verdadeiro gosto pelas atividades intelectuais. Ou seja, Zieg não passava de um almofadinha tentando provar algo a alguém. Sem muito esforço Ana pensara em Brunehilde, pois percebera o desconforto que ele apresentara logo cedo.
— Essa coisa...esse marginal tem nome? O que vamos encontrar?
Zieg continuou esquivando de algumas pessoas distraídas até perceberem a presença real e ceder-lhe passagem. Enfim, olhou de soslaio para Ana e respondeu:
— É Fragonard. Se ele atacar como o costume, serão quinze lobos expostos e sete escondidos. Ele nunca admitiu negociações, embora Brunehilde insista em tentarmos o contato. Acredito que não passe de um selvagem.
— Lobos?Você disse lobos?— Ana estacou subitamente apavorada e imóvel nas cercanias da praça principal.
Zieg retrocedeu e postou-se a seu lado, lançando olhares preocupados ao seu redor.
— Disse, senhorita. Mas não deve se preocupar com os lobos. O atraso apenas nos será desfavorável agora, vamos andando, por favor.
Caminharam mais alguns minutos e os barulhos da cidade já estavam distantes.
— Se ele costuma atacar, como pretende se defender?
Irritado com as perguntas sem imaginação de Ana, Zieg deteve a marcha e desarmou a trouxa que carregava nas costas com um movimento violento. Ele continuava segurando um dos panos, mas um segundo foi atirado longe com o movimento.
— Essas peles nos ocultarão completamente dos lobos.— explicou enquanto a via segurar a pele curtida com nojo na ponta dos dedos.
— Ah, é?—rira.
— Vocês, gente do ocidente, nunca compreendem o poder de nossos amuletos!...— esbravejara Zieg jogando a pele sobre os ombros e cobrindo a cabeça.
— Eu compreendo muitas coisas, Zieg. Não que eu duvide de seu precioso amuleto, mas não quero estar confiante demais nisso quando o bandoleiro estiver perto.
— Sem os lobos ele não poderia fazer nada. Com isso anulamos o seu ataque. Só precisamos chegar até ele...
Sem acreditar muito nas palavras de Zieg, Ana vestiu a pele e imediatamente começou a distinguir vultos floresta adentro. Os cheiros silvestres se tornaram mais acentuados e seus passos mal eram audíveis.
— Ela não só nos deixa imperceptível aos predadores como nos dá a vantagem de contar com os sentidos apurados deles. Deuses! Não deveria estar dando tantas explicações para uma criatura de pouca fé!
— Fé todos nós temos, em uma coisa ou outra...
Ambos avançavam pela beirada da floresta, subindo por uma escarpa rochosa que terminava abruptamente sobre mais uma fileira de árvores. Logo adiante a chama fraca de uma fogueira era visível, escondida outrora pela escarpa. Com a visão apurada, os dois puderam divisar os lobos espalhados preguiçosamente ao redor do fogo, algumas sombras esgueirando-se na escuridão fria longe das chamas e um homem parado ao centro acariciando os pelos de um lobo que era quase tão grande quanto ele.
Ele ergueu os olhos brilhantes no sentido da escarpa e farejou o ar. Ana se encolheu mais rente à rocha, tentando acreditar no poder da capa que vestiam.
— Zieg. — cochichara e naquelas condições não era necessário mais do que isso para que o companheiro ouvisse — Alguns homens conseguem ser mais cruéis e abomináveis do que lobos. Não sei o que esse homem costumava fazer antes, mas não sinto qualquer coisa nele agora que o caracterize como mau.
Recordando-se dos poderes que a capa dera em igualdade para ambos, Zieg evitou uma cara de esgar diante da afirmação que a forasteira poderia sentir a respeito de Fragonard. Essas habilidades nunca antes haviam se manifestado longe de Advari, entre os bárbaros do ocidente. Ele apenas fez um gesto para que ela esperasse no topo da escarpa.
[...]

sábado, 1 de agosto de 2009

Outside

Por ocasião da captura de Darksu, Kenny sofrera ferimentos terríveis. Nos primeiros momentos ele protestou e praguejou de forma bastante enérgica enquanto tentavam estancar o sangue. Mas com o passar dos dias tornou-se quieto e apático, como se sentisse a morte se aproximando.

Seus homens em desespero decidiram chamar a “bruxa” capturada para que o curasse. Trouxeram-na amarrada e, mesmo no cárcere há vários dias, ela ainda continuava bela e imponente.

— Não posso curá-lo... — um tapa e algumas queixas fizeram-na interromper suas breves palavras.

Jesica interpôs-se entre a cativa e seu agressor, protegendo-a de novos ataques.

— Isto não é realmente necessário. Não permitirei qualquer maltrato a sacerdotisa.

— Mas ela é aliada do inimigo e se recusa a cooperar conosco!

A cativa tocou levemente no braço de sua defensora e sussurrou debilmente, segurando a face espancada:

— Como eu dizia antes que os animais interrompessem, eu não posso tentar fazer isso sozinha. Quando a toquei tive certeza de que talvez nós duas possamos, sacerdotisa.

Jesica encolheu-se perto de Darksu, corada e aflita e cochichou longe dos olhos dos homens:

— Não posso! Não sou uma sacerdotisa de verdade!

— Recebeu os ensinamentos?

— Sim, mas... — ela aproximou-se mais da cativa — não pude ser sagrada... não sou mais pura.

Darksu percebeu uma tremenda angústia e vergonha quando a jovem sacerdotisa revelou seu segredo. Com um sorriso de deboche no rosto respondeu-lhe:

— Tenho certeza de que isso não tem a menor importância. Além disso, se não tentar, seu líder vai morrer diante de seus olhos porque estava amarrada a conceitos antigos.

Assustada, Jesica titubeou. Era estranho ouvir de uma sacerdotisa que parecia tão antiga para abandonar conceitos ancestrais, tradicionais. Contudo, agora que se via muito abandonada e distante do Conselho sentia que não lhe restavam muitas alternativas.

Darksu explicou-lhe em particular os procedimentos a serem realizados.

— Eu sou uma mestra de ritual. Vou conduzi-lo e você usará os ensinamentos conforme os recebeu.

Ainda aflita e nervosa, Jesica assentiu e ordenou que soltassem as amarras de Darksu. Com receio do poder da “bruxa” um dos homens esticou o braço o máximo que pôde e cortou as cordas com o gume afiado de sua faca.

Num movimento rápido e assustador, a cativa ergueu os braços e começou a cantar e gesticular. Os homens temiam-na pois em sua cela Darksu costumava resmungar palavras incompreensíveis que lhes disseram mais tarde tratar-se de palavras de maldição.

Enquanto ela cantava, Jesica executava seu próprio ritual. Algumas das palavras conseguia compreender. Subitamente, Darksu interrompeu a cantoria.

— Alguma coisa está errada. Existe aqui a vontade de cura, mas ela não pode se concretizar.

Dizendo isso avançou sobre o corpo esticado de Kenny. O homem estava imóvel e sem cor. Após observar todos seus ferimentos, observou que um deles parecia inalterado. Tocou o ferimento fazendo a tropa reagir. Jesica os impediu sentindo também que o ritual estava sofrendo interferência de algo.

O ferimento era profundo e Darksu concluiu onde estava seu problema. Ouvindo murmúrios de aflição, remexeu a ferida a procura de um corpo estranho e o encontrou escondido no corte: era um fragmento de lâmina. Jogando o pedaço de metal ao lado de Kenny, recomeçou a cantoria com as mãos cobertas de sangue.

Agora sim o ritual poderia ser concluído com sucesso, Kenny estaria, em breve, a salvo. Em poucas horas de observação, as cores retornaram a seu corpo.

Aproveitando a euforia da tropa estrangeira, Darksu recolheu o fragmento e o guardou consigo. Ainda que a tivessem flagrado pegando o objeto saberiam que a lasca de metal não serviria nem mesmo para cortar as cordas que a prendiam. Não se importavam tanto assim se por acaso engolisse a lâmina e morresse.

De volta ao cárcere, certo dia uma comoção geral na vila acordou-a de seu breve cochilo. O tumulto crescia de forma assustadora e em pouco tempo os moradores corriam como se tivessem que salvar a própria vida. E de fato, em poucos minutos isso se transformou em constatação. Podia ouvir o som de espadas entrechocando-se acima da balbúrdia e imaginou se as tropas de Kenny já teriam retornado.

A menina que lhe trazia a comida esquivou-se da massa em fuga e alcançou aflita o cativeiro de Darksu. Gritava coisas incompreensíveis, mas deixou escapar em idioma comum “é um príncipe num cavalo branco”. Depois de tê-la libertado da prisão, a menina retornou a multidão em fuga.

Esgueirando-se pra fora da cela, Darksu observou um cavaleiro avançar pela multidão. Vasculhava com os olhos o vilarejo em busca de alguma coisa. Até que o elmo indicou que encontrara seu objetivo: vinha em sua direção. Reconhecera imediatamente a armadura completa do exército de Kotanni. Seria Natya que viera resgatá-la? Ou o próprio Kotanni? Sentiu um aperto no coração imediatamente após esse pensamento ocorrer-lhe. Começou a andar em direção do cavaleiro salvador. Quando estava mais próximo, percebeu os olhos azuis e frios a fitá-la atrás do elmo. Ele estendeu a mão rapidamente e lançou-a na garupa de seu cavalo.

Sim, um cavalo branco, mas pudera perceber perfeitamente de quem se tratava. Os olhos azuis e frios pertenciam a Eliandra.

Coberta por mais uma dezena de homens de Shirov, Eliandra seguiu outra rota para longe do acampamento civil dos estrangeiros. Darksu não teve muito tempo para ficar com seu coração abalado.

— Meu pai não quis resgatá-la, Darksu. Tive que fazer isso por conta própria, desculpe por ter demorado tanto. Foi difícil convencer os homens desobedecerem a uma ordem de meu pai. — ela rangia os dentes a cada palavra — Felizmente, alguns ainda têm bom senso para perceber as implicações de deixar a mestra de ritual em poder do inimigo.

— Engana-se, Eli... Ele não se recusou, fui eu quem pediu pra não ser resgatada imediatamente... Mas já cumpri meu objetivo no acampamento inimigo.

— O que exatamente esteve fazendo no acampamento civil?

— O acampamento não é exatamente o que pensa. Kenny estava se recuperando de ferimentos de batalha nele.

Eliandra interrompeu a corrida. Imaginava que já estivessem fora de perigo após tanto tempo de cavalgada. Darksu se encolhia debaixo do manto atrás da outra mulher na sela.

— Acho que estamos sendo seguidas.

Discretamente, Darksu começou a murmurar algumas palavras que não faziam o menor sentido para Eliandra. A mulher, sacando a espada, sentiu um frio percorrer-lhe a espinha neste exato momento. O cavalo remexia-se inquieto.

— Vamos adiante! Agora! — afoitou-se Darksu.

Sem pensar, Eliandra atiçou o cavalo. Percebeu que perdia o controle sobre o animal. A montaria estava agitada e seus instintos lhe dominavam apesar dos comandos que tentava inutilmente com as rédeas.

A mestra de ritual sabia exatamente o que deveria ter acontecido com seus perseguidores. Se tivessem sorte, estariam perdidos nos barrancos ocultos na floresta. Se não tivessem, provavelmente a fuga das montarias os teriam matado. Era incrível o poder emitido por Eliandra. E a moça, inocentemente, tentava acalmar a montaria, sem saber que ela mesma causara o alvoroço.

Nunca antes imaginara o que Eliandra poderia fazer, mas tinha uma desconfiança por causa das habilidades de seu pai. Contudo, no momento que executara o ritual, pudera sentir um pânico em sua mente que nunca antes sentira. O efeito deveria ter se propagado em círculo por vários metros. A filha de Kotanni conseguia transmitir emoções a todas as criaturas vivas ao seu redor. De fato, assemelhava-se com a capacidade de seu pai em vasculhar a mente de suas vítimas e manifestar suas vontades, algumas desconhecidas até.

Darksu lastimou-se por ser tão vulnerável a esses tipos de poderes. Principalmente porque apenas pelo intermédio de seus rituais que os demais poderiam manifestar-se. E não fora diferente no acampamento de Kenny. A sacerdotisa deprimida conseguira usar os ensinamentos recebidos em sua terra estrangeira. Provavelmente imaginara que não poderia usá-las por causa de sua pureza... Uma piada, logicamente, visto que este plano impedia qualquer manifestação de poder, independente da pureza de corpo e alma.

Olhando ainda de forma assustada para trás, Darksu chegava a algumas conclusões sobre sua visita ao acampamento de Kenny. No momento que iniciara o ritual, percebera grandes pontos de poderes muito fortes entre os presentes. Mas poucos poderiam superar o poder de Kenny. Apenas uma vez antes sentira algo parecido... Na presença de Kotanni. Abriu a mão que envolvia o pedaço de metal coberto de sangue seco. Assim que retornasse a fortaleza, com certeza faria algumas investigações sobre a ligação dos dois.